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sábado, 28 de dezembro de 2013

A Bibliotecária de Auschwitz, Antonio G. Iturbe, [Opinião]

Sinopse: 

Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias»






Opinião:

"Os livros são perigosos, fazem pensar." 

Simplesmente um dos melhores e mais completos livros que já li sobre o tema. Antonio G. Iturbe conseguiu reunir nestas páginas verdadeiros relatos fidedignos sobre um dos massacres mais violentos e desumanos da história da Humanidade, o Holocausto.

Gostaria de escrever uma opinião que conseguisse transmitir aos restantes leitores o quão profundo é este livro. Chocante. Real. 

A cada página voltada um misto de sentimentos, raiva, horror, ódio, incredulidade, entre outros, invadiam-me de tal maneira que durante um período de tempo só conseguia visualizar pro detrás das pálpebras a brutalidade que aqueles Judeus, seres humanos de carne e osso sofrerem às mãos de outros ditos seres humanos.

Aos amantes do tema como eu, e mesmo ao público em geral, aconselho vivamente a lerem este relato de Dita, uma rapariga a quem lhe foi incumbido proteger uma pequena biblioteca no inferno na terra. 

5* foi a minha cotação no Goodreads

Um livro fenomenal, boas leituras





quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Raptada (O Jardim Químico #1) Lauren DeStefano [Opinião]


Sinopse:

Graças à ciência moderna, todos os recém-nascidos são bombas-relógio genéticas - os homens só vivem até aos vinte e cinco anos e as mulheres até aos vinte. Neste cenário desolador, as raparigas são raptadas e forçadas a casamentos polígamos para que a raça humana não desapareça. Levada pelos Colectores para se casar à força, Rhine Ellery, uma rapariga de dezasseis anos entra num mundo de riqueza e privilégio. Apesar do amor genuíno do marido Linden e da amizade relativa das suas irmãs-esposas, Rhine só pensa numa coisa: fugir, encontrar o irmão gémeo e voltar para casa.
Mas a liberdade não é o único problema. O excêntrico pai de Linden está decidido a encontrar um antídoto para o vírus genético que está prestes a levar-lhe o filho e usa cadáveres nas suas experiências. Com a ajuda de um criado, Gabriel, pelo qual se sente perigosamente atraída, Rhine tenta fugir no limitado tempo que lhe resta.

Opinião:

** ALERTA - SPOILERS ** ALERTA - SPOILERS ** ALERTA - SPOILERS **

O mundo como o conhecemos morreu e com ele toda uma juventude devido a um vírus que ataca as mulheres por volta dos 20 anos de idade e os homens aos 25. 
Rhine é a personagem principal desta história, é uma das três irmãs esposas (Cecily e Jena)que é levada à força, num sequestro, para uma fabulosa mansão , onde tem criados que tomam conta dela e das outras três raparigas, usufruem de luxos e podem exigir todo o tipo de caprichos e no fundo só têm de brincar às esposas e aos maridos. 

Capa: Apesar de me parecer um pouco estranha confesso que fiquei curiosa com ela da primeira vez que a vi. Talvez pelo título do livro, que me levou a pensar que fosse outro tipo de história. 

Narrativa: Esta história é narrada na primeira pessoa. A maioria gosta deste tipo de narrativa porque consegue criar uma maior empatia. Eu como sou do partido oficial do contra, não em costumo ligar muito a histórias narradas na primeira pessoa e este livro não foi excepção (para muita pena minha que fui-me a ele como a fome toda). A nível de escrita, a autora apresenta um estilo simples e fluído. Apesar de não ter criado uma paixão por este livro confesso e admito que a leitura decorreu num ápice, não pelo interesse da obra mas pela fé que eu tinha em encontrar alguma coisa que efectivamente me despertasse e me amarra-se à ficção.

Worldbuild ou Worldbuilding (não sei qual dos dois está correcto, estejam à vontade, escolham o que mais gostarem) : é fraco e está mal aproveitado.

Cecily, a irmã-noiva mais nova, nada mais é que um retrato puro e cru de uma criança que foi engravidada por um homem adulto e que nesta sociedade distópica é permitido e natural devido ao vírus e que nada mais faz da vida a não ser maltratar os criados só porque sim. Ter crises de infantilidade aguda e tentar a todo custo ser uma mulher a cem por cento quando deveria estar preocupada em ser uma criança.

Jenna, a irmã-noiva do partido oficial do contra, é contra tudo e todos mas no fim e de repente, pimbas, lá cede ao prazer da carne e até usufruiu do marido. Passa a vida enfiada na biblioteca e de repente morre. Fim da história para ela (ou talvez não).

Rhine, a terceira irmã-noiva, personagem principal e primeira mulher da casa Linden é uma personagem que consegue ser quase um meio termo no meio desta incoerência. No entanto a sua personagem peca por ser demasiado fraca e ambígua. Ora está morta por ver o irmão, ora cede e deixa-se levar pelos encantos do marido e de toda a pomposidade que a vivência na mansão lhe concede. Gostei do facto de ela ter heterocromia. Esta particularidade despertou-me bastante interesse. 

Rowan, irmão gémeo de Rhine, inseparáveis desde a morte dos pais mas que apesar de ser mencionado pela personagem principal, não dá sinal de vida, não existe uma passagem mais conclusiva sobre ele. Nada. Existe mas como se não existisse.

Linden, o marido. Um homem maduro que vive com três irmãs noivas só porque o pai lhe disse que tinha de ser assim (pelo menos foi esta a impressão com que fiquei). Não é sedutor, não é romântico, nem tão pouco o vi sofrer horrores pelo seu eterno amor, Lady Rose.

Supervisor Vaughn: arrepia-me só de pronunciar mentalmente o nome deste homem. Mas é mesmo só por causo do nome porque em todo o livro apesar de ter sido pintado de cobras e lagartos não vi o homem a fazer nada de especial. Pressupõem-se que ele fez trinta por uma linha mas nada nos é revelado, nem sequer o levantar da ponta do véu e isso desmoralizou a minha curiosidade pelo até então vilão da história.

Gabriel: O criado que se apaixona pela 'patroa'. Bom, acho que isto foi um pouco cliché e a envolvencia deles os dois também foi fraquinha. Não arriscaram nada, não fizeram nada de especial e no entanto ficaram perdidamente apaixonados um pelo outro. 

O que eu gostei? Gostei dos três últimos capítulos que aconteceram quase como uma golfada de ar fresco e que me animaram a ler o próximo livro da trilogia na esperança de ficara  saber mais sobre o vírus que mata pessoas aos 20 e aso 25 anos de idade conforme os géneros. Quanto aos restantes ingredientes distópicos incluídos nesta ficção, achei que se é para imaginar um futuro distante, quase como que uma realidade alternativa à que temos agora a autora podia ter-se aplicado mais nos detalhes e na imaginação. Poupava-nos aos detalhes das lantejoulas nos vestidos e investia mais na realidade alternativa desta distopia e desta forma a narrativa não tinha sido tão cansativa e não se tinha arrastado tanto. 

Eu sou uma amante inveterada de livros fantásticos, romances paranormais, mas estou sempre aberta novas experiências literárias. Distopias retrata possíveis realidades futuros muitas das vezes provocadas por acontecimentos menos bons como Apocalipse ou cataclismos que mudam o mundo. Considero-me uma pessoa com uma imaginação muito fértil mas confesso que no que a distopias diz respeito das duas uma: ou elas não estão bem criadas ou então a minha imaginação neste campo fecha-se em copas e mete férias. 

Ainda assim próximo mês começo a ler o segundo livro de nome 'Delírio'. A ver vamos do que sai daqui.

2* foi a minha cotação a este livro no Goodreads.

Boas leituras,


A Cruz de Morrigan (Trilogia O Circulo #1) Nora Roberts [Opinião]

Sinopse: 

Uma batalha entre as forças do bem e do mal está prestes a começar. De um lado Lilith, a vampira mais poderosa do mundo. Do outro, a deusa Morrigan, que tudo fará para a travar com o seu círculo…
Irlanda, século XII. O feiticeiro Hoyt está destroçado pela perda do seu irmão gémeo, transformado num vampiro pela poderosa Lilith. A deusa Morrigan está determinada a enfrentar Lilith e avisa Hoyt de que chegará um dia em que se formará um círculo de seis, destinado a enfrentar Lilith e salvar a Humanidade. Hoyt usa os seus poderes para viajar à Nova Iorque dos dias de hoje onde descobre o seu irmão, um homem bem-sucedido mas frio e cínico, e pede-lhe auxílio na luta contra Lilith. Mas o círculo não está completo sem os poderes mágicos da artista Glenna Ward. Hoyt não confia na magia dela, mas ambos farão tudo para alcançar os seus objetivos. E ao enfrentarem legiões de inimigos, apercebem-se de que o amor que cresce entre ambos poderá aumentar as probabilidades de derrotarem Lilith…


Opinião:

Hoyt é um feiticiero escolhido pela Deusa Morrigan para combater a mais temível das vampiras: Lilith. Cian, seu irmão gémeo que foi transformado em vampiro, Glena uma bruxa do século XXI por quem Hoyt se perde de amores, Moira, excelente arqueira e princesa de Gaell, Larkin que é um metamorfo, King, amigo de Cian e por fim Blair, proveniente de uma familia de caçadores que vem ajudar a treinar este pequeno grupo para que possam juntamente com Hoyt enfrentarem as trevas de Lilith e vencer a guerra em nome da Deusa. 

Livro que é livro é especial mas quando nos é oferecido por alguém que nos é também especial, fica ainda mais especial! (Ei! Tantas vezes a palavra especial, até parece que estou num concurso de repetições -_- )

A Cruz de Morrigan é o primeiro livro da trilogia do Circulo mas não é a primeira vez que leio livros da Tia Nora. Não, a minha estreia com esta senhora aconteceu o ano passado também com uma trilogia, desta feita, a Trilogia Irlandesa. 

Desta vez, na Trilogia do Circulo, Nora Roberts rende-se às histórias dos vampiros e decide presenciar os seus leitores com uma trilogia mais focada no fantástico. No entanto desenganem-se se pensam que vão levar com um Twilight em cima. (Ok, pronto, tem uma semelhança ( -_- ) mas é pura coincidência, confiem em mim.) 

Gostei do contraste entre o passado, o medieval e a vida actual e moderna do século onde a maior parte da história se desenrola. O toque de humor das personagens também foi pertinente. O romance que se desenrola devagarinho entre Hoyt e Glena é fofinho e é nele que reconheço o toque sublime da autora, como uma das melhores romancistas actuais. 

No entanto penso que a nível de tradução a coisa não correu como era suposto. Deparei-me ao longa da leitura com imensas frases que não me fizerem qualquer sentido e duvido que, mesmo não tendo lido o original, a edição portuguesa lhe seja fiel. 

Foi um livro interessante, num contexto soft na guerra entre o bem e o mal e este foi apenas o primeiro livro e como tal funciona mais como uma espécie de introdução. 
Sinceramente fiquei mais cativada pela outra trilogia que já li da autora, ainda assim espero os restantes livros para saber como acaba a história destes guerreiros improváveis que se juntaram num único juramento em nome da Deusa. 

2.5* foi a minha cotação no Goodreads

Boas leituras, 




Obrigada Sofia pela prendinha, adorei! 

sábado, 26 de outubro de 2013

Amores contados - Antologia Alfarroba [Opinião]




Sinopse:

Em 2013 a Alfarroba lançou o concurso Amores Contados. Cerca de 250 histórias depois, foram seleccionados os cinco contos que hoje reunimos nestas folhas.

Neles encontramos histórias de amor em fotografias, em viagens, num café, até na matemática ou numa carta. São as histórias que nos fazem lembrar, sonhar, suspirar ou sorrir. Histórias de sentir; são amores que devem ser contados.







Opinião:

Autora Ana Filipa Ferreira - 'Uma questão matemática' - 3*

Quantas vezes não olhamos já para uma relação a dois e nos perguntamos se haveria uma formula matemática para a resolver? Para a tornar mais picante ou resolver problemas conjugais comuns do dia a dia? Montes de vezes, certo? Bom, aqui a nossa Ruiva (carinhosamente apelidada desta forma nas redes sociais) decidiu mostrar num pequeno conto como um problema de matemática pode muito bem transparecer uma relação a dois.
Gostei da escrita da Ana, directa ao assunto, explicita e sem qualquer vergonha ou pudor de chamar as coisas pelos nomes. É um conto de cariz erótico e que só pecou por ser demasiado curto. 

Autora Cristina Milho - 'As fotografias falam baixinho' - 2* 

Neste conto deparamos-nos com a melancolia das memórias através de fotografias. É um conto simples mas com uma carga emocional muito patente. É um simples relato de uma passagem em que a neta tenta através de todos os meios ajudar a sua avó a reagir à vida e a sair daquele estado semi-catatónico que a vai consumindo e tudo através de uma única fotografia que conta a história de uma vida. 

Autor Francisco Vilaça Lopes - 'Amor de viagem' - 1*

Partindo do principio que para fazer uma colectânea se escolhem os melhores dos melhores, não percebo o que este conto está aqui a  fazer. Desculpe-me o autor, mas o conto é mais confuso que um molho de spaguetti cozido e deixado emaranhado num prato à espera de ser comido. As frases soaram-me estranhas, o desenrolar da narrativa idem aspas. Não fosse ele tão pequeno, tinha desistido a meio. 

Autor Jorge Campião - 'Café avenida' - 2*

Café avenida não é apenas o título do conto mas também o palco onde a acção desta narrativa se desenrola. Este conto foca-se em aspectos como confiança e comunicação na base de todas as relações, fala do casamento, da desconfiança, das traições. De como uma coisa leva à outra, como o deturpar de certos aspectos nos pode induzir em erro e levar-nos a agir de forma estranha.  Um tema que rondou aspectos reais do dia a dia. 

Autora Rosa Bicho Gonçalves - 'Um, Dois, Três' - 2*

Fiquei confusa com este aqui pelos seguintes motivos: é muito pequeno (óbvio que é ou não seria um conto -_- ), os diálogos colocados a meio da narrativa.... nunca tinha visto assim (estamos sempre aprender). No entanto achei interessante a temática 'corações partidos e esperança' de que no fim tudo se resolva.


Matematicamente falando: 

3 + 2 + 1 + 2 + 2 = 10 
10 / 5 =  2
2 + 0.5 (bónus) = 2.5*


2.5* Cotação no Goodreads.


Boas leituras, 




Sombras da meia-noite (Raça da Noite #7) Lara Adrian [Opinião]

Sinopse:

Num deserto gelado mergulhado na escuridão, as linhas entre o bem e o mal, amante e inimigo, nunca são pretas ou brancas, mas desenhadas em tons de meia-noite. Algo inumano surgiu nos confins gelados do Alasca, deixando uma carnificina indizível na sua esteira. Para a piloto Alexandra Maguire, os assassínios trazem recordações de um evento horrível que ela testemunhou em criança e evocam uma inexplicável sensação de alteridade que há muito tempo sentia dentro de si mesma, mas nunca compreendera totalmente… até que um desconhecido sedutor e sombrio com os seus próprios segredos entra no seu mundo. Enviado de Boston para investigar os selvagens ataques e parar a matança, o vampiro guerreiro Kade tem os seus próprios motivos para regressar ao frio e proibitivo local do seu nascimento. Assombrado por uma vergonha secreta, Kade logo percebe a verdade surpreendente da ameaça que enfrenta, uma ameaça que porá em perigo a frágil união que formou com a corajosa e determinada jovem que desperta em si as paixões mais profundas e os anseios mais primários. Porém, ao trazer Alex para o seu mundo de sangue e trevas, Kade deverá enfrentar os seus demónios pessoais e o mal ainda maior que pode destruir tudo o que ele mais ama.

Opinião:

6 Meses passaram desde que tive a oportunidade de ler um romance desta autora de excelência. Lara Adrian escreve daquele forma viciante, simples e fluída que nos leva a devorar página atrás de página. Independentemente da hora a que se começa a ler e muito menos a terminar o livro. 

Desta vez, neste sétimo romance da série Raça da Noite, temos a história de Kade e de Alex. Ele um guerreiro da ordem, ela uma humana especial, uma Companheira de Raça que vêem os seus destinos cruzados numa matança e carnificina violenta que transforma por completo o manto branco das neves do Alasca quando um Renegado começa a caçar as suas vitimas para saciar a fome descontrolada que o assola sem se preocupar com o rasto de morte que deixa na sua peugada. 

Adoro as capas portuguesas desta série. São lindas, seguem o mesmo padrão, apelativas e convidativas. É daquelas situações em que se não conhecesse a série e visse a capa, apaixonava-me pelo livro, mesmo sem certezas do conteúdo.

A história em si, de uma forma global, não traz nada de novo, é certo. Existem um guerreiro da Ordem que encontra a sua Companheira de Raça, por quem se perde de amores praticamente à primeira vista e o sentimento é reciproco. No entanto, mesmo com este padrão romântico que recebemos a cada romance, a autora consegue sempre incluir alguma coisa nas suas histórias que nos deixa de queixo caído a pensar como raio a mulher se foi lembrar de incluir aquela cena, aquela mudança ali, mesmo naquela altura do livro em que já damos o caso por terminado e encerrado. 

As cenas românticas e sensuais com um maravilhoso toque de erotismo completam o livro de uma forma muito própria. A camaradagem entre os guerreiros é tocante e tão apaixonante como os restantes pormenores da história, sociedade e dia a dia destes guerreiros vampiros descendentes de aliens

A única coisa que efectivamente me impediu de atribuir a este livro as 5* foram as constantes repetições dos nomes e pronomes utilizados por parágrafo, Faltou ali uma diversidade, uma conjugação entre os nomes e pronomes, e até mesmo ocultar alguns uma vez que a frase ficaria perceptível à mesma.  

Um livro maravilhoso! Recomendo vivamente, foi uma delicia ler Sombras da Meia noite.

4* foi a minha cotação no Goodreads. 


Boas leituras, 


domingo, 20 de outubro de 2013

A melhor quinzena de um século de vida, Vero Lua de Melo (Ana Pacheco) [Opinião]

Sinopse:

Em 2081, no seu leito de morte - e quando já se discute a aplicação da fórmula para a vida eterna -, Amália Duarte está decidida a abandonar um mundo que já não reconhece.
Para partir em paz com a sua consciência, reúne os três netos e revela-lhes o segredo que escondeu ao longo da sua vida e que, de alguma forma, os implicava também a eles. Recuando ao atribulado início do século XXI, relembra o dia em que, impelida por uma rotina desencantada, pede demissão do emprego de sempre. Com a crise europeia a emoldurar um deprimente panorama, parte numa grande viagem com duas garantias - o desemprego e um futuro incerto - e uma certeza: a reinvenção urgente da sua própria vida.
"Fiquei com os olhos pregados no tecto e senti um vazio hediondo na alma, que ia sendo preenchido pela sensação de desgraça da minha própria vida."



Opinião:

‘A melhor quinzena de um século de vida’ de Vero Lua de Melo (Ana Pacheco, vimaranense) é um livro recém-publicado pela Chiado Editora e o primeiro da jovem autora. 

Antes de tudo o resto que tenho a dizer sobre este livro, quero apenas afirmar perante todos aqueles que possam vir a ler este artigo que, do ponto de vista profissional, não tenho sequer voto na matéria. Sou única e simplesmente alguém que gosta imenso de ler e que tem aprendido algumas coisas, na sua grande maioria das vezes, através de conselhos que me dão (uma vez que também escrevo), dicas e chamadas de atenção dos meus leitores que me vão alertando para esta e aquela situação ora que não fazem sentido, ora que não estão muito explicitas, ora que não tiveram o sentido que era suposto ter. E falo de técnicas de escrita, diálogos, personagens, descrições, etc etc etc… 

Volto a repetir, esta opinião é única e exclusivamente um ponto de vista, uma reflexão final sobre um livro que acabei de ler e não tem como finalidade ferir susceptibilidades nem sentimentos de ninguém, muito menos da autora, por quem tenho um imenso respeito. 

Agora que estamos esclarecidos, vamos lá à opinião. 

‘A melhor quinzena de um século de vida’ trata disto mesmo, um relato dos 15 dias da vida de Amália Duarte. Uma jovem vimaranense no pico da juventude que decide fazer a viagem da sua vida apesar de não estar a passar uma das melhores fases na conjuntura global. Na América, palco escolhido para a sua viagem, Amália conhece Eurico, um Conimbricense, que passa a ser o seu par nesta aventura e muito mais.

Pontos positivos: 

Capa: Adorei o conjugar das cores. O preto mate e o laranja vivo chama atenção. Capta o olhar do leitor. 

Título: Demasiado longo. Quando queria referir o livro a alguém com quem troquei algumas opiniões durante a leitura, tinha a ideia de que nunca mais terminava de escrever o título, pelo que comecei a dirigir-me ao livro como ‘a quinzena’. 

História em si: Bom, vou optar por falar primeiro dos pontos positivos e depois dos pontos menos positivos/negativos, que infelizmente é o prato do dia em livros publicados por Vanities. 

O destaque da cidade de Guimarães e tudo aquilo que a cidade berço tem para oferecer a todos que a decidam visitar.

A introdução à história é feita com uma dose de bom humor e boa disposição, captando o leitor a prosseguir na narrativa. Confesso que durante as primeiras vinte páginas achei a narrativa interessante, pelo menos o ponto inicial que me fez pensar que ia ter uma leitura futurista, tendo em conta o ano em que mesma começa a ser narrada (2081). 

Gostei da escolha dos nomes dos personagens. Amália é um nome que por si só transpira Portugal, muito provavelmente por causa do monstro que foi e continua a ser Amália Rodrigues, eterna fadista. Eurico também. São nomes diferentes dos habitualmente escolhidos pelos autores que optam por nomes mais usuais. 

Gostei também de alguns pontos focados e abordados pela autora nos relatos da viagem. Posso estar enganada mas a forma como procedeu ao relato revela uma experiência vivida. E sendo assim, aqui me confesso, que fiquei roída de inveja porque América é aquele destino que figura no topo da minha lista de destinos a viajar. 

Pontos Menos Positivos/ Negativos: 

Toda a narrativa é feita num uso abusivo de purple prose. Na crítica literária, diz-se que purple prose é quando o autor usa e abusa de uma escrita floreada, ornamentada e excessivamente extravagante. Onde foca todos os pormenores e mais alguns, como uma repetitiva chamada de atenção para o que está a narrar, e o que acontece quando esta técnica é usada de forma incoerente é que o leitor, com tanta descrição, floreado e extravagância de verbos e adjectivos acaba por perder o fio condutor da história, a essência principal perde-se como se estivesse num emaranhado de folhos e folhinhos escritos. 

Purple prose leva-nos automaticamente à escrita em Tell, ou seja, ela debita as informações para a folha e relata o que se está a passar. Conta o que aconteceu e deixou de acontecer ao pormenor, mas não mostra. Não faz o leitor ‘viver’ as passagens por ela descrita, nem os acontecimentos, sentimentos ou emoções. Limita-se a ‘vomitar’ informação o que me leva a outro ponto: infodump

Demasiada informação que não tem qualquer interesse para a história de Amália e Eurico. São informações que a autora achou que ficariam bem na sua ficção mas que serve apenas para ocupar a folha, aumentar o número de palavras escritas e encher capítulos. A tão conhecida ‘palha’ abunda neste livro de 366 páginas. É certo que aborda temas interessantes e faculta algumas informações de cultura geral, algumas curiosidades que até são aceitáveis mas o excesso de informações que na minha opinião quer estivessem escritas, quer não, não marcaram em nada a passagem das personagens pela américa, nem sequer ficaram retidas na minha memória. Dei por mim a pensar que devido à forma como a informação está despejada aqui que o título poderia muito bem ser alterado para ‘ Relato intensivo da melhor quinzena de um século de vida’. 

Outro aspecto que não abona nada em favor desta obra é o uso exagerado e incoerente de expressões coloquiais, regionalismo e calão que até ficariam bonitos e porreiros não fosse o facto de as personagens que nos são descritas não combinarem com os seus diálogos onde abundam este tipo de expressões que acabam por criar situações ridículas e nada realistas. 

Os diálogos entre as personagens (principais e secundárias) também não foram feitos da melhor forma. Ora são descritos e nos é indicado quem está a narrar, quando de repente, entram todas as personagens ao barulho numa conversa fiada e está tão confuso e tão estranho que o leitor fica perdido sem saber quem disse o quê sobre que tema. 

O worldbuild deste livro é fraco e cheio de buracos. As personagens principais são as únicas que tem grande destaque, estão sempre no grande plano e todas as outras existem sem um propósito. Estão apenas a encher cenário, o que foi realmente uma pena. A autora tinha pano para mangas para dar mais vida às suas personagens secundárias. 

A narrativa em si é monótona, com dois ou três twists em toda a sua narrativa, mais um ponto que a autora não soube aproveitar, já que se a história fosse abordada e se centrasse noutros aspectos que não o excesso de informação em demasia, teria certamente encontrado peripécias que poderia incluir e que daria um maior dinamismo à história. 

As constantes repetições e uso desenfreado de clichês, ora de palavras, ora de expressões também não abona nada à narrativa. É cansativo quando lemos no mesmo parágrafo três ou quatro vezes a mesma palavra, o mesmo nome, a mesma acção. É importante para o autor não se esquecer de dinamizar o texto sem perder o fio condutor da história. 

Outro aspecto que me levou quase ao estrabismo, foi o constante revirar de olhos a cada palavra assinalada com aspas à qual eu não resisto comentar com a tão conhecida expressão: Não havia necessidade, carago! O leitor não é burro e consegue perfeitamente perceber quando o autor/escritor está a fazer uma comparação, um trocadilho de palavras, a usar expressões que não são suas, etc etc etc. Há situações em que o autor pode explicar, caso a forma como escreve não esteja explícita mas, noutros casos, as informações apesar de não estarem descritas ao pormenor, estão implícitas e o leitor consegue chegar ao ponto da questão sozinho. 

Virgulas, reticências, pontos exclamação, interrogação e travessões. Outro ponto em que a autora não teve uma fórmula de dosagem exacta. Tanto coloca virgulas a cada duas palavras como se esquece de as colocar. Reticências, idem. E as restantes pontuações também. Palavras escritas com maiúsculas para dar enfase à situação também me pareceu desmedido e desnecessário. Como disse o autor sabe o que se está a passar, consegue chegar à essência da situação sozinho. 

A componente romântica desta história também me desiludiu. Por momentos, quando cheguei à página em que o casal passou a vias de facto (um dos twists da obra), desejei que com aquele envolvimento das personagens a história ficasse mais focada na relação deles e menos nos aspectos históricos e turísticos dos Estados Unidos América. Enganei-me redondamente e fiquei verdadeiramente emputecida com o desenrolar da relação deles. Faltou amor, paixão, carinho, cumplicidade. Eles davam-se bem a falar sobre história, fotografia e cultura. Então e o resto? Partindo do princípio que estão perdidamente apaixonados, esperava mais. Muito mais. Não houve lugar para uma troca de carinho após uma noite tórrida de sexo. Um beijo na testa pela manhã. Uma mão dada no resto da viagem, um abraço, uma química ardente que nos arrebatasse por completo... Nada que revelasse ao leitor que aqueles dois desconhecidos se tinham tornado um casal. 

A personalidade da Amália revela-se um pouco incoerente mais ou menos a meio do livro. Porque tanto demonstra ser uma mulher adulta, culta e conhecedora do mundo como de repente tem atitudes um pouco preconceituosas. (Como a questão do Israelita a rezar no avião). 

Já Eurico demonstra ser uma personagem bastante equilibrada que funciona como âncora e consciência destas tiradas fora de contexto da outra personagem principal. 

Não gostei da parte final do livro. O desfecho é irracional e despropositado. As revelações que acontecem no último twist da obra demonstram como a escrita da autora ainda está verde. As informações sobre o gémeo de Eurico caem de pára-quedas na narrativa (tendo em quanto que numa determinada parte do livro, Eurico enaltece os valores e relação da sua família, fala da mãe, do pai e até dos funcionários da empresa da família e deixa o gémeo totalmente fora do contexto, não só é estranho como é incoerente) e a falta de dor, sentimento de perda, tanto demonstrado pela mãe de Eurico como pela própria Amália, deixaram-me triste com um livro que até tem uma ideia base porreira mas que não conseguiu chegar até mim em nenhum aspecto. 

2* é o máximo que consigo atribuir a este obra e foi a minha cotação da mesma no Goodreads


Boas leituras,


Obs: Leitura Tuga Outubro (Desafio lançado pela escritora/autora e blogger Andreia Ferreira no seu blog http://d311nh4.blogspot.pt)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O símbolo perdido (Robert Langdom #3) Dan Brown [Opinião]

Sinopse:

Washington, D. C.: Robert Langdon, simbologista de Harvard, é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio. Contudo, pouco depois da sua chegada, é descoberto no centro Rotunda um estranho objecto com cinco símbolos bizarros. 
Robert Langdon reconhece-os: trata-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos. 
Quando Peter Solomon, eminente maçom e filantropo, é brutalmente raptado, Langdon compreende que só poderá salvar o seu mentor se aceitar o misterioso apelo. 
Langdon vê-se rapidamente arrastado para aquilo que se encontra por detrás das fachadas da cidade mais poderosa da América: câmaras ocultas, templos e túneis. Tudo o que lhe era familiar se transforma num mundo sombrio e clandestino, habilmente escondido, onde segredos e revelações da Maçonaria o conduzem a uma única verdade, impossível e inconcebível. 
Trama de história veladas, símbolos secretos e códigos enigmáticos, tecida com brilhantismo, O Símbolo Perdido é um thriller surpreendente e arrebatador que nos surpreende a cada página. O segredo mais extraordinário e chocante é aquele que se esconde diante dos nossos olhos…

Opinião:

Ainda me lembro do sentimento que o primeiro livro de Dan Brown despertou em mim. Estava eu algures na terra do queijinho e do chocolate *.*  perdida entre as montanhas pintadas de branco com um livrinho de nome 'O Código Da Vinci' quebrava a monotonia dos dias gelados da Suiça e me levava a viajar pelas tramas inigualáveis daquela história. 

Foi e é dos meus livros preferidos, no entanto também já tive a experiência oposta com o autor. No livro 'A Conspiração' pensei que ia morrer de tédio. Excessos de detalhes, muitas descrições sobre temas que não lembra ao menino Jesus... enfim, uma experiência menos boa e confesso que estava reticente com este pequeno aqui. Felizmente tive uma agradável surpresa. 

Em 'O símbolo perdido' voltamos à trama intensa e suspense ao virar de cada página desta vez a mergulhar intensamente no seio da sociedade Maçónica e todos os seus segredos. Dan Brown continua a oferecer pensamentos, descrições e uma história provocante que nos obriga a embarcar na história e a viver quase em primeira pessoa as emoções vividas pelo professor Robert Langdom e a sua capacidade incomum para desvendar o impossível.

Gostei dos capitulos pequenos, com não mais de quatro a cinco páginas por capítulo. Parece que não mas quando um livro tem uma história cativante e está neste 'formato' a leitura voa. Gostei bastante das personagens: das principais e das secundárias. Das que sobreviveram até ao fim do livro e das que morreram pelo caminho. Dos desenlaces e twists da história. Adorei 'rever' o professor Robert Langdom (não parei de pensar no Tom Hanks durante toda a leitura).

É um livro cheio de suspense e violência, mortes assustadoras e incrivelmente credíveis. Um mix de sentimentos e revelações que prende o leitor. 

3* Foi a minha cotação ao livro no Goodreads.

Recomendo,

Boas leituras.



domingo, 22 de setembro de 2013

Sangue Maligno (Série Casa das Comarré #3) Kristen Painter [Opinião]

Sinopse:

Chrysabelle é uma comarré que ousou desafiar o destino. Agora tem de tomar uma decisão de vida ou morte…
Uma série de violentos assassinatos está a semear o pânico em Paradise City. Os alvos são comarrés falsos. Chrysabelle, em casa a recuperar lentamente de graves ferimentos, recusa-se a ver Malkolm. Mas nada conseguirá travar o vampiro, decidido a ver se o amor da sua vida está bem, dê por onde der.
Com a ameaça da fusão iminente entre o mundo dos mortais e dos imortais, não há tempo a perder. Malkolm e Chrysabelle partem para Nova Orleães, para recuperar o Anel do Sofrimento. Forçada a tomar uma decisão de vida ou morte, Chrysabelle vai-se aperceber de que a sua relação com Malkolm pode ter consequências fatais e que a força do amor que os une pode não ser suficiente.



Opinião:

'Sangue Maligno' é o terceiro livro da série 'Casa das Comarré' da autora revelação Kristen Painter e continua a contar a história de Chrysabelle, uma Comarré renegada que está disposta aos mais perigosos sacrifícios para encontrar qualquer informação que a leve a encontrar o irmão. 

De Malk, o vampiro nobre renegado que está disposto a arriscar a própria eternidade se isso significar manter Chrysabelle em segurança. 

De Creek, um ex.condenado actual agente dos Kubai Mata que sabe que tem um dever para com aqueles que o livraram da prisão mas que não consegue ficar indiferente aos encantos da comarré. 

Ao mesmo tempo que nos continua a posicionar na vida das restantes personagens que compõe esta série: Velimai, Fi, Doc, Mortalis, Tatitana, Octavian, Castus, Daciana, Alliza, Evie... entre muitos outros personagens que entram e saem da vida de Chrysabelle para lutar ao lado dela e lidarem com os seus próprios problemas. 

A paixão destes dois parece que adormeceu ou que ficou escondida, tímida e expectante nos bastidores, enquanto a autora dava voz, vida, ribalta a outras personagens, como por exemplo Fi e Doc. Não que não goste destas personagens, gosto muito, mas esperava ver mais atitude da relação daqueles dois. Não houve paixão nem nada que me arrebatasse por completo, como aconteceu com os dois primeiros volumes, onde Malk e Chrysabelle soltam faíscas pirómanas de cada vez que punham os olhos um no outro. 

A história tem cabeça, tronco e membros. No entanto para mim este terceiro volume deixou um pouco a desejar. Esperava ver mais de Chrysabelle e Malk, principalmente depois de tudo o que sucedeu no volume anterior. Desta vez a autora deu prioridade a pormenores que nos volumes anteriores foram tidos como secundários. Provavelmente funciona como uma ponte de ligação na história. 

Gostei do livro em si. Esta história futurista sobre alternaturais, vampiros, comarrés, bruxas e tantos outros, proporcionou-me agradáveis momentos de leitura. As personagens principais, assim como as secundárias, estão bem construídas e toda a trama desenrola-se com sentido. Espero que sim e que o próximo volume traga uma lufada de ar fresco à história da comarré.

3* foi a minha cotação deste livro no Goodreads.

Boas leituras,

sábado, 14 de setembro de 2013

O Espião Português, Nuno Nepomuceno [Opinião]

Sinopse: 


E SE TODA A SUA VIDA NÃO PASSAR DE UMA MENTIRA?

André Marques-Smith é um bom rapaz. Dedicado à família e aos amigos, é o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português a assumir a tão desejada direção do Gabinete de Informação e Imprensa. Uma dedicação profissional que esconde um coração partido.

Freelancer é o nome de código de um espião da Cadmo, uma organização semigovernamental internacional. A par do MI6 e da CIA, a Cadmo age nos bastidores da política mundial, moldando o mundo tal como o conhecemos. Freelancer é metódico e implacável, um dos seus operacionais mais cotados.

André e Freelancer são uma e a mesma pessoa. De Lisboa a Estocolmo, Londres, Roma ou Viena, as suas muitas faces desdobram-se, as missões sucedem-se. Uma delas reserva-lhe uma surpresa. Nas suas mãos, está uma descoberta que pode mudar o mundo e pôr em causa toda a sua vida.

Mas, para o melhor e para o pior, ele não está sozinho...

Opinião:

'O Espião Português' é um livro que retrata não só a dupla vida de um agente secreto da Cadmo (agência não governamental de espionagem) como aborda especificamente os últimos 6 meses vividos pela personagem principal: André Marques-Smith. 

Se eu vos disser que há séculos que andava de olho fisgado neste menino, vocês acreditam?

(Dizem vocês em coro: Não, porque o livro só saiu em Novembro do ano passado, por isso deixa-te de dramas!) 

Ok, exageros à parte, já há algum tempo que 'O Espião Português' figurava nos primeiros lugares da sempre crescente lista de livros a comprar. Também participei num sem número de passatempos onde um exemplar desta obra estava em jogo e por outro tanto número de vezes o Mr. Random não quis nada comigo. Até ao dia em que o Blog Saboreia os Livros anunciou o meu nome como a felizarda do passatempo. Nem queria acreditar e mal podia esperar para o começar a ler. 

Adorei o design da capa, o tipo/tamanho de letra e papel escolhido. A obra em si está repleta de acção e suspense, com um cheirinho a Missão Impossível ao bom estilo português. A história aborda temas muito interessantes como: espionagem, mistérios, agentes secretos, ministros, países, leis, regras. Um conjunto de ingredientes que me prenderam à leitura de início ao fim do livro. 

O autor aborda não só a componente misteriosa das agências de espionagem, como ainda nos presenteia com descrições muito realistas sobre algumas das cidades europeias mais conhecidas ao mesmo tempo que desenrola a trama da sua ficção. Entrelaça mundos e vidas paralelas enquanto continua a contar a história de André. 

As personagens que compõe esta ficção pareceram-me todas sólidas e bem descritas. Cada uma muito própria, muito fiel a si mesma. O autor teve o cuidado de não maçar o leitor com descrições e abordagens excessivas. As relações interpessoais, familiares, laborais, etc foram igualmente cuidadas e pensadas ao pormenor, todas elas bastante coerentes. 

No entanto numa ou duas situações notei ali uma aceleração no desenrolar da acção que deixou um rasto no ar de que faltava ali qualquer coisa. A conversa que muda a vida de André, na minha perspectiva, deveria ter sido feita com mais tacto, mais desenvolvimento, mais calma. Compreendo que a bomba tinha de cair mas esperava que tanto Armand como Sílvia fossem mais brandos com o lançar da mesma.

O tipo de escrita, ou a técnica de escrita utilizada pelo autor, escrita maioritariamente em tell, também me fez bastante impressão e é esta apenas e só a sua maior lacuna. Frases demasiado curtas, excessivo uso de pontos finais e ausência de virgulas, o que acabou por quebrar e incutir um pouco de lentidão ao processo de leitura. (É que sabem, eu sou do tempo em que se fazia uma pausa considerável perante um ponto final.) Outra coisa a que me demorei a habituar foi a escolha do Presente do Indicativo para narrar a história, contudo apesar de não ser uso habitual o autor conseguiu marcar pontos na escolha que efectuou, na coerência e à-vontade dos diálogos ou narrativa em geral.

Os twists finais foram q.b. Uns foram previsíveis, não havia outro desfecho que não fosse aquele. Outros deixaram-me um pouco surpreendida porque nada dava a indicar que tal facto fosse acontecer. O final do livro está absolutamente em aberto com a minha curiosidade bastante aguçada para saber o que acontecerá daqui para a frente na vida do agente secreto André Smith. 

Muito resumidamente, adorei ter ganho o livro, gostei da história em si e estou curiosa para descobrir que segredos, mistérios e acção terá o autor Nuno Nepomuceno reservado não só para o André, o nosso espião de serviço, mas para todo o elenco que faz parte desta trilogia.

Um livro interessante, recomendo!
3* foi a cotação no Goodreads

Boas leituras,







Obs: Leitura Tuga Setembro (Desafio lançado pela escritora/autora e blogger Andreia Ferreira no seu blog http://d311nh4.blogspot.pt)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O toque do Highlander (Highlander #7) Karen Marie Moning [Opinião]

Sinopse:

Ele desafiaria os limites do tempo por uma noite nos braços dela…


UM GUERREIRO DE PODERES IMORTAIS

Ele era um poderoso guerreiro escocês que vivia num mundo movido por antigas leis e magia intemporal. Mas nada poderia preparar o laird do Castelo Brodie para a encantadora e amaldiçoada jovem que jazia diante dele. Um terrível golpe do destino tinha-a feito recuar 700 anos no tempo para a sua câmara privada, a tentá-lo com a sua beleza — e a seduzi-lo com um desejo que ele jamais lograria saciar. Pois esta mulher que ele ardia por possuir era igualmente a mulher que ele recusara destruir.

UMA MULHER APANHADA NAS BRUMAS DO TEMPO

Quando Lisa sentiu a terra mover-se sob os seus pés, a feroz e independente mulher do século XXI jamais sonhou que estivesse a cair… direita a outro século. Mas o poderoso guerreiro nu que jazia postado de olhos fulgurantes nela era simplesmente demasiado real… e perigosamente arrebatador. Irresistivelmente atraente, sem dúvida... mas Lisa não tinha intenção de permanecer nesta bárbara terra dilacerada por guerra e traição. Como poderia ela saber que o seu sedutor captor tinha outros planos para ela? Planos que a salvariam de um trágico destino? E como poderia saber que este homem que há muito renunciara ao amor desafiaria o próprio tempo para a reclamar?


Opinião:

Circenn Brodie é uma perdição de Highlander que vive fiel às suas rígidas regras. Nunca sai dos trilhos, nunca foge a uma responsabilidade, raramente sorri e já há muito tempo que não se permite amar alguém. Até que uma desconhecida que usa boné e veste calças de ganga  é arremessada para o seu século e muda a sua vida por completo.

Lisa Stone é uma mulher do século XXI que vive para o trabalho e para a mãe que sofre de uma doença em fase terminal. No entanto, enquanto trabalha em mais um turno, Lisa vê-se frente a frente com um artefacto que muda a sua vida para sempre.

**Os leitores e seguidores do trabalho de Moning sabem que a SdE não editou os livros pela ordem original, por isso viu dar referência à edição portuguesa.** 

Este é já o sétimo livro que leio desta fantástica saga que em cada volume traz até ao leitor um Highlander de sonho que nos faz querer desejar com todas as forças uma viagem relâmpago às terras altas da Escócia e aos prados mágicos da Irlanda. 

Relativamente à narrativa do livro, continuamos a conhecer os clãs dos Lairds e as suas formas de viver. Ficamos a conhecer um pouco mais sobre a história deste povo do norte europeu. Dos seus costumes. Das suas crenças. No entanto aconteceu alguma coisa com este livro que não me encheu as medidas como os anteriores. Não encontrei tanta alegria e boa disposição, situações de peripécias foram quase nulas, ao contrário dos anteriores volumes que estavam repletos de situações caricatas. 

Fiquei contente com a tradução (excesso de brasileirismo) quando comprado com os dois últimos está muito melhor, não encontrei nada flagrante neste aspecto, o que me deixou satisfeita. Confesso que tinha um certo receio de levar com aquela catrafada de expressões que não fazem qualquer sentido num livro que está traduzido para leitores portugueses de Portugal.

Gostei de rever Adam Black e as suas travessuras enquanto fada e dos irmãos Douglas. O amor e o laço de ligação entre Circenn e Lisa também foi um toque de mestre nesta história.
Em suma foi um bom livro, uma leitura rápida e satisfatória.

3* Foi a cotação que atribui a este livrinho no Goodreads.

Recomendo,

Boas leituras



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Gula Perversa (Série Lizzy & Diesel #1) Janet Evanovich [Opinião]

Sinopse: 

A vida de Lizzy Tucker não pode ser mais confortável: mudou-se recentemente para uma casa histórica que herdou em Salem, no Massachusetts, e acaba de tornar-se chef na Dazzle's, uma das pastelarias mais visitadas da cidade. Mas a esperança por qualquer tipo de normalidade evapora-se quando dois homens entram de rompante na sua vida: o sombrio Gerewulf Grimoire, e Diesel, um homem lindíssimo e de aparência angelical. Grimoire procura as Pedras de Saligia que estarão, diz-se, em Salem. Esses sete talismãs — representativos de cada um dos sete pecados mortais — dão poderes assustadores a quem os detenha. Diesel é um homem com uma missão: parar Grimoire a todo o custo. Só precisa de convencer Lizzy de que apenas ela será capaz de manter o vilão longe dos talismãs. Mas, para que isso aconteça, Diesel quer protegê-la todo o dia… e toda a noite. Estes talismãs têm efeitos estranhos sobre si, enchendo-a de apetites e desejos súbitos. Com dois homens no seu encalce, e sentindo-se estranhamente atraída por ambos, como irá ela escapar à espiral de emoções em que se vê envolvida?

Opinião:

Gula Perversa é o primeiro livro da série Lizzy & Diesel da autora Janet Evanovich publicada em Portugal pela editora Topseller. Este livro trás até ao leitor um conceito já conhecido, sobre os 7 pecados mortais, mas desta vez camuflados em talismãs ou objectos poderosos que, quando reunidos se transformam numa arma poderosa e por si só, altamente perigosa.

Lizzy considera-se uma pessoa normal, que tem como profissão a arte de fazer cupcakes para uma pastelaria situada em Salem até ao dia em que Diesel, um pedaço de mau caminho aparece na sua vida e a começa a virar de pernas para o ar ao mesmo tempo que a introduz a toda à força num mundo totalmente diferente, onde os humanos convivem com os Inomináveis, que são seres com poderes de percepção especiais e que conseguem detetar as tais pedras referentes aos sete pecados mortais.

Este é o segundo livro da Janet Evanovich que leio e por acaso foi quase um a seguir ao outro. Confesso que no primeiro livro que li da autora, o 'Perseguição Escaldante' não fiquei lá muito convencida. É certo que a história estava interessante e até me fez esboçar uns meios sorrisos mas nada que me levasse ao sétimo céu literário e quando comecei a ler este tive receio de que a leitura acabasse por ser insatisfatória. Felizmente enganei-me.

Gosto da capa, é interessante e apelativa. Boas cores e boa conjugação das imagens. Leva o autor a perguntar-se: o que será que retrata este livro? Adorei o facto de os capítulos serem pequenos. O tipo de papel também é dos que mais gosto de encontrar num livro porque com a sua cor creme não dificulta tanto a leitura. É mais agradável à visão. Mas para mim os pontos mais positivos vão para os diálogos. Mais de 90% do livro são diálogos. O sentido de humor das personagens e a escrita simples e descontraída. 

Gostei muito deste livrinho e de ter entrado no mundo caótico de Lizzy e Diesel, mais uma série para seguir.

3* para este livro no Goodreads

Boas leituras,
06 Agosto 2013


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Na Sombra do Perigo (Série Irmandade da Adaga Negra #9 ) J.R. Ward [Opinião]

Sinopse:

Payne, irmã gémea de Vishous, em muito se assemelha ao irmão. Lutadora por natureza e rebelde no que diz respeito ao papel tradicional das fêmeas Escolhidas, o Outro Lado não é lugar para ela… e a frente de batalha da guerra também não. 
Quando fica paralisada na sequência de uma lesão em combate, um cirurgião humano, o doutor Manuel Manello, é chamado para a curar de um modo que só ele é capaz - e em breve se vê arrastado para o mundo secreto e perigoso da fêmea. Embora nunca tivesse acreditado que a noite encerra coisas estranhas - como vampiros - dá consigo mais do que pronto a deixar-se seduzir por aquela fêmea poderosa que o marca de corpo e alma. O mundo humano e vampiro chocam à medida que os dois amantes se veem ligados por muito mais do que uma simples atracção erótica… e Payne é surpreendida por uma vingança com séculos que coloca em risco a sua vida e o seu amor.

Opinião:

'Na Sombra do Perigo' é o nono livro da famosa série de vampiros Irmandade da Adaga Negra da autora J.R. Ward. A capa do livro está dentro dos padrões dos volumes anteriores e apesar de ser cada vez mais difícil inovar sem fugir do padrão acho que esta foi muito bem concebida. Diferente e igual, ao mesmo tempo.

Relativamente à história em si, bom, o que eu acho enquanto leitora é que Ward se perdeu um pouco na fidelidade dos factos. Ao contrário do que acontece com os romances dos primeiros cinco volumes, este que conta a história de Payne e Manello existe uma ausência de suspense romântico. Daquele jogo do fruto proibido, daquela sensualidade e magia envolvente que tão bem caracteriza os seus primeiros romances. 

Neste novo livro o leitor deparasse com os acontecimentos a acontecerem de forma descarada e, em algumas das vezes, sem fazer o mínimo sentido. Outro aspecto que tem vindo a ser recorrente é o facto de autora ter deixado de focar o livro que apresenta apenas no casal principal. Um vez mais e como já tem vindo a ser hábito desde mais ou menos o sétimo livro, Ward narra não só apenas a história do casal principal como nos vai apresentando outras personagens e desenvolvendo a acção entre ambas. Muitas das vezes é como se estivéssemos a ler mini contos dentro de uma história só. Os vários clímax que vão acontecendo dão outro dinamismo à história e acabam por colmatar falhas como o desenvolvimento demasiado rápido das relações entre os principais protagonistas. 

Outro pormenor com que me deparei e que estranhei um pouco foram os demasiados parágrafos (alguns deles sem nexo), a torto e a direito em todo o livro. Outro aspecto que também me faz um pouco de espécie foi a constante necessidade de traduzirem e alterarem termos e palavras que nos foram introduzidas ao longo dos livros e que no primeiro volume é-nos apresentado de uma forma e no nono livro de outra. 

Por exemplo: Primale/ Primeveo/ Primacho ou então Bloodletter/ Derramador de Sangue. 

Quanto aos demais leitores não sei, mas neste último exemplo confesso que demorei a situar-me e penso que nestes aspectos de traduções a editora deveria assegurar um serviço que contivesse sempre o mesmo conjunto de vocabulário do inicio ao fim da série. 

Em suma: não é dos melhores livros da série, é um facto (e já vos expliquei um pouco porquê) mas é um livro que eu adorei ler! O tempo voou enquanto os meus olhos estavam presos nas páginas, levando a minha mente e a minha alma para fora do meu corpo até um sitio lindo e maravilho que se chama imaginação sem limites, onde não existem problemas com desemprego, nem contas para pagar, nem calor a mais nem a menos! 

Por isso só vos tenho a dizer que é sempre um prazer enorme ler livros que me levam a passear para sítios distantes sem sequer sair do sítio! Mal posso esperar que chegue Janeiro 2014, data que provavelmente teremos ao nosso dispor mais um livro desta saga que eu adoro! Até lá toca a descobrir novos autores e novas leituras.

4* na cotação do Goodreads.

Boas leituras, 
31 Julho 2013



Envolvida, (Crossfire #3) - Sylvia Day [Opinião]


Sinopse: 

Desde que vi o Gideon pela primeira vez, percebi que ele tinha algo de que eu precisava, algo a que eu não conseguia resistir. Percebi-lhe também uma alma perigosa e atormentada - tal como a minha. Envolvi-me. Eu precisava dele tanto como precisava que o meu coração batesse.
Ninguém sabe o quanto ele arriscou por mim e o quanto eu fui ameaçada; ninguém imagina quão negra e desesperada se tornou a sombra dos nossos passados. Entrelaçados nos nossos segredos, tentamos desafiar o destino. Definimos as nossas próprias regras e rendemo-nos completamente ao intenso poder da obsessão.


Opinião:

Envolvida é o terceiro volume da série Crossfire da autora Sylvia Day a chegar ao nosso mercado livreiro. Quatro meses depois de ter lido o segundo volume, 'Refletida', livro que me deixou com algum receio em relação ao desenvolvimento da história, um vez que foi um livro que me soube a pouco... muito pouco, tive a oportunidade de ler o terceiro volume. 

A capa deste terceiro livro é simples e ao mesmo tempo requintada e elegante. Gosto muito da capa. Quanto à continuação da história de amor de Eva e Gideon e numa apreciação global: gostei.

Foi uma leitura que passou a voar. Os diálogos e as acções fizeram com que as páginas voassem umas atrás das outras. A boa disposição das personagens, os ritmos diários em que estão envolvidas acabam por transmitir ao leitor uma relação de proximidade com a realidade.

No entanto tenho de referir que estava à espera de mais desenvolvimentos. Faltou neste livro um pouco de acção e  suspense. Ao contrário das cenas eróticas e sexuais que foram mais que as mães e que acabaram por retirar à história a magia do romance. 

Confesso que fiquei um pouco triste com o facto de a autora ter multiplicado a trilogia Crossfire, ficando o leitor dependente de cinco livros para conhecer toda a história de Eva e Gideon. Bom, uma vez que nos faltam mais dois livros para terminar espero que os próximos volumes se foquem noutros aspectos que não sejam apenas sexo, sexo e.... hummmm, sexo.

3* de cotação no Goodreads.  

Boas leituras,
28 Julho 2013



segunda-feira, 22 de julho de 2013

Face Negra, Elizabete Cruz [Opinião]

Sinopse: 

Esta podia ser a história de uma menina amorosa e inocente marcada pelo passado. Mas não, esta é a história de Daniela, a rapariga que sobreviveu a esse passado e se tornou naquilo que nunca pensaria ser, não olhando a meios para atingir os fins. Para tal conta com a ajuda do seu bizarro melhor amigo, que daria tudo para dormir com ela, e que é bem mais do que aparenta ser. E ainda tem Dyre, o seu primeiro amor e actual namorado, que definitivamente não a conhece.
Ela julgava-se forte, perspicaz e dona do seu destino. Mas o destino provar-lhe-á que estava errada. Alguém com tantos segredos, artimanhas, rancor e maldade dentro de si não poderá ter um final feliz. E o reaparecimento de um fantasma do seu passado levá-la-á a fazer algo extremo e irremediável, fazendo-a perceber que os fins nem sempre justificam os meios.
Conheçam Daniela, a jovem e inocente estudante de Medicina, que encerra em si uma terrível face negra. “Um dia vais acordar, e não vais ter nada além de arrependimentos.”


Opinião: 

‘Face Negra’ da autora nortenha Elizabete Cruz foi a minha escolha para leitura Tuga do mês de Julho.

Esta não foi a minha estreia com a escrita da Elizabete, uma vez que já tive a oportunidade de ler outra obra sua (Leitura Tuga Março) ‘O homem que amava demais’ editada por uma vanitie, ao contrário da sua mais recente obra que chega aos leitores através de um outro conceito, ou seja, auto publicação ou edição de autor.

Desde já os meus parabéns à Elizabete pela coragem de enveredar por um caminho tão pouco conhecido no nosso país ainda que em países como E.U.A seja hábito recorrente.

E agora, mãos na massa, opinião quentinha a sair:

Começo pela capa e novamente uso a palavra parabéns! Adorei a capa e o marcador. Raquel Leite tens muito talento e fizeste um óptimo trabalho com a capa que ilustra na perfeição a história que a Elizabete escreveu. Foi efectivamente um óptimo dueto.

Relativamente à narrativa e à história em si: Confesso que foi um tema inovador porque até à data não me tinha passado pelas mãos nenhum livro nem nenhuma história que abordasse temas como prostituições, bailarinas de striptease, irmãos separados para adopção, faculdade, amores improváveis e paixões arrebatadoras tudo no mesmo livro.

As personagens são interessantes no entanto não foi pela Daniela, personagem principal, que recai o meu entusiasmo e predilecção mas sim por Marco, o companheiro de casa dela. Foi nesta personagem que encontrei tudo aquilo que gosto de encontrar quando estou a ler um livro. A personagem do Marco é credível, real, entusiasmante, divertida, sofrida, apaixonada, pateta… bem, podia ficar aqui uma eternidade de tempo a elogiar esta personagem que a autora conseguiu criar com um perfeição que me deliciou. Todas as suas passagens foram reais e fluidas. Estava a ler e estava a ver aquela situação perfeitamente a acontecer na vida real. Fiquei fã do Marco, sem dúvida.

Com a personagem Tomás, idem aspas, a sua revolta, a sua intransigência, o muro de betão construído em seu redor. Outra personagem muito bem caracterizada e descrita, apesar do seu tempo de antena ter sido muito curto em quase toda a história, a personagem brilhou quando apareceu.

Nota-se que é neste tipo de personagem que a autora está mais à vontade para dar asas à sua imaginação e escrever até que a alma lhe doa!

Quanto a Daniela, a rainha da história, despertou-me opiniões muito distintas, porque ora estava muito bem no seu papel de sofrida e mulher guerreira como de seguida descambava para uma mulher chorona e derrotista. Não sei, houve ali qualquer coisa na personagem que não me caiu bem. Os diálogos e acções dela pareceram-me demasiado rápidos e demasiado superficiais. Não senti aquela garra, aquela empatia, aquela determinação quando alguém está disposto a tudo para vencer. É como se a Daniela sofresse de bipolaridade ou algo do gênero.

O início da narrativa também me deixou com aquela ansiedade de estar à espera de mais. É como se tivesse sido escrita em modo corrida. A história entre Dyre e Daniela merecia mais destaque. O amor ou a paixão podia ter acontecido na mesma num abrir e fechar de olhos, no entanto, os acontecimentos em Oslo foram uma espécie de flash tendo em conta o peso que reproduziram no resto da narrativa.

Outra situação menos positiva foram as constantes repetições dos nomes próprios e pronomes. Nada que a autora não consiga resolver facilmente numa próxima sessão de revisões.

Acrescento ainda que gostei muito do facto de a autora ter introduzido e abordado temas como o Síndrome de Down. Termos e expressões específicas sobre medicina e derivados. Marcos históricos da cidade do Porto e arredores e também a perspectiva do que é a vida de um jovem adulto quando está na faculdade, quando vive numa casa partilhada com pessoas que nunca viram na vida.

Em suma, gostei bastante da história, perdi-me de risos com a personagem do Marco e no fim confesso que me emocionei um pouco com o desfecho da história apesar de o final não ter sido dos meus preferidos. A minha cotação no Goodreads para este livro são 3.5* 

Aproveito ainda para acrescentar que a minha opinião para este livro foi feita por mim, Soraia Pereira leitora e nada tem a ver com o facto de eu de vez em quando escrever uns rabiscos.


Desejo à Elizabete todo o sucesso do mundo e mal posso esperar para a conhecer pessoalmente no dia 25 de Julho aqui mesmo na minha cidade na apresentação do seu ‘Face Negra’ a todos aqueles que quiserem aparecer ao Casa Amarela - Café concerto em pleno centro histórico vimaranense.


Boas leituras,
20 Julho 2013




Obs: Leitura Tuga Julho (Desafio lançado pela escritora/autora e blogger Andreia Ferreira no seu blog http://d311nh4.blogspot.pt)